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Parashá Semanal - Leitura da Torá

Menorá – o candelabro de sete lâmpadas

Brevíssima coletânea de comentários sobre a Porção BEHAALOTECHÁ extraída da obra torá interpretada à luz dos comentários do Rabino Samson Raphael Hirsch recém-publicada pela Editora Sêfer

 

Números, Capítulo 8

1 E o Eterno falou a Moisés, dizendo: 2 “Fala a Aarão e diz‑lhe: Quando acenderes as lâmpadas, faz de modo que as sete lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro.” 3 E assim fez Aarão: em direção à lâmpada central do candelabro acendeu suas lâmpadas, como o Eterno ordenara a Moisés. 4 E esta é a obra do candelabro de ouro batido: desde o seu pedestal até as suas flores, todo ele era de ouro batido; segundo a forma que o Eterno mostrou a Moisés, assim ele fez o candelabro.

 

  1. Esta porção remonta ao relato do povo redimido do Egito e em processo de desenvolvimento para se tornar o povo de Deus, interrompido no capítulo 34 do Êxodo e que descreve a renovação da aliança após a expiação do pecado do Bezerro de Ouro. O objetivo da tal interrupção foi falar sobre a construção do Tabernáculo e as leis associadas a ele, algo que compõe o conteúdo de todo o Levítico, assim como o início do Livro de Números, até aqui. Ao fazer isso, a Escritura estabeleceu o ideal para o qual Israel deve se tornar o povo de Deus. No entanto, a fim de concretizar esse ideal, Israel teve de ser educado e moldado por séculos – na realidade, por milhares de anos, anos esses que se estendem mesmo além dos nossos dias.

Em nosso comentário sobre Êxodo (19:10-13; 32:1), discutimos o contraste que havia no momento da outorga da Torá entre Israel e a própria Torá, com todas as suas diretrizes e exigências, um contraste que só pode ser superado através de séculos de educação. Esta é uma prova clara da origem Divina da Torá, uma vez que o relacionamento entre Israel e a sua Torá é único em toda a história da raça humana. Todos os outros sistemas legais derivam das necessidades da geração atual e em conformidade com as condições da época. Esta Torá, no entanto, coloca o homem diante do padrão ideal e supremo de sua conduta e ações, e espera por uma geração que tenha crescido e sido preparada o suficiente para transformar seus ideais em realidade.

A transição para a continuação do relato desse desenvolvimento é feita por meio de algumas porções: o acendimento das luminárias, realizado pelos sacerdotes; a introdução dos levitas ao seu serviço no Templo; o sacrifício da oferta de Pêssach, que reaviva o reconhecimento nacional do povo de que ele se destina a se tornar o povo de Deus e que, para esse fim, deve reafirmar a cada ano o fundamento do propósito de Israel; e, finalmente, a primeira viagem do acampamento do monte Sinai, que, caso os eventos tivessem seguido o seu curso natural, deveria levar o povo diretamente à terra que lhe fora prometida, a terra destinada – e que permanece destinada, ainda hoje – a Israel, para que ele possa cumprir ali a Torá de Deus. Depois disso, nos versículos 35 e 36 do capítulo 10, a Escritura interrompe o assunto e nos leva ao interior do acampamento, para mostrar o quanto o povo ainda precisa evoluir a fim de alcançar seu elevado objetivo.

  1. faz de modo que as sete lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro. O principal significado de “candelabro” se refere à haste central que suporta a lâmpada central. Seis hastes saíam dessa haste central – três de cada lado – e havia uma lâmpada na extremidade de cada haste. Aqui, Aarão foi instruído a direcionar as lâmpadas de ambos os lados em direção à lâmpada do meio, que ficava sobre a haste central, de modo que todas as sete velas iluminassem nessa mesma direção. Este versículo não passa de uma explicação detalhada do que é dito no Êxodo 25:37: “iluminarão em direção ao seu centro”.

Conforme explicamos lá, há uma controvérsia sobre o modo de posicionamento do candelabro no Templo. De acordo com uma opinião, o candelabro era posicionado no sentido que vai de Norte a Sul; a lâmpada central ficava virada para o Oeste, em direção à santidade das santidades; as três lâmpadas que estavam à sua direita ficavam voltadas de Norte a Sul e as três lâmpadas à esquerda ficavam voltadas de Sul a Norte. Segundo a outra opinião, o candelabro ficava posicionado de Leste a Oeste, e a lâmpada do meio, que ficava sobre a haste central, ficava erguida para cima, em linha reta; as três lâmpadas a Leste ficavam voltadas para o Oeste, e as três lâmpadas a Oeste ficavam voltadas para o Leste.

De acordo com a primeira opinião, a maneira de posicionar o candelabro simboliza o espírito predominante e em desenvolvimento no Templo, que busca Deus em Sua Torá e na aliança que Ele firmou com Israel referente à Torá. As lâmpadas do Sul que iluminam na direção Norte simbolizam que o objetivo de qualquer reconhecimento espiritual é a expansão do espírito na matéria. As lâmpadas do Norte que iluminam na direção Sul simbolizam que o objetivo da matéria é sua dedicação ao espírito, para que a matéria seja um solo fértil à luz do bem e da retidão semeada nele. Essas duas luzes – do espírito que se espalha na matéria e da matéria que se entrega ao espírito – têm um lado em comum: ambas aspiram cumprir a Torá que está na santidade das santidades e ambas pedem a proximidade de Deus, que se encontra ali como algo assegurado a Israel.

De acordo com a segunda opinião, a luz acesa no Templo simboliza o espírito que se eleva em linha reta a Deus. As lâmpadas ocidentais que iluminam o Leste simbolizam que, a partir da Torá que está na santidade das santidades e da proximidade de Deus que é assegurada ali, serão enviadas grandes energias de conhecimento a Israel, que aguarda no Leste pela luz de santidade. As lâmpadas ocidentais que iluminam o Oeste simbolizam que Israel, que espera pela luz de santidade, terá seus olhos iluminados e seus corações reanimados por meio da Torá de Deus e de suas promessas. O espírito da Torá que se concretiza e realiza na vida de Israel, e a devoção apaixonada de Israel a esse espírito, visam apenas um propósito: elevação e ascensão a Deus.

Seja qual for a direção na qual o candelabro estava posicionado, suas sete lâmpadas, que iluminavam no sentido do centro do candelabro e se uniam na lâmpada central, representam a seguinte ideia: O espírito prático de compreensão, bravura e temor a Deus se juntará ao espírito conceitual de sabedoria, conselho e conhecimento, e o espírito de temor a Deus elevará todos eles e trará desenvolvimento espiritual, até que o espírito de santidade se manifeste no homem: “E sobre ele pousará o espírito do Eterno” (Isaías 11:2).

Conforme relatado no capítulo anterior, os príncipes das tribos de Israel trouxeram ao Templo do bom e do melhor de suas propriedades: prata e ouro, azeite e especiarias, e os melhores animais de seus rebanhos e gado. Com isso, expressaram disposição de entregar a Deus todas as suas propriedades e todo o seu ser e vontade. Eles também expressaram – em seu nome e em nome de sua tribo – sua alegria em entregar tudo isso a Deus e a Seu Templo, e através dessa demonstração – com um coração e total consenso – de seu relacionamento com o Templo, eles concluíram a inauguração do altar.

A tribo de Levi e seu príncipe, Aarão (ver adiante 17:18), não participaram dessa inauguração das tribos de Israel e de seus príncipes. Eles não possuíam sêmola e azeite, prata, ouro e especiarias, nem a riqueza de rebanhos de ovelhas e gado, pois o seu posicionamento não era voltado para o Templo, mas sim, eles estavam ao lado do Templo, e o próprio Templo compunha sua porção e herança.

Portanto, enquanto os príncipes de Israel levaram seus sacrifícios à inauguração do altar, expressando assim a relação da nação com o Templo, foi dito a Aarão, e depois a sua tribo (versículo 5 em diante), qual era o seu relacionamento com o Templo dentro do povo. “Acender as lâmpadas” de modo que “as sete lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro” e preparar as “lâmpadas” de tal forma que todas as várias aspirações espirituais se unam na busca por Deus – esse é o papel do sacerdote e o significado do trabalho dos levitas. Aquilo que os príncipes expressaram nos elevados dias de inauguração é a coisa com a qual os sacerdotes precisam se ocupar diariamente, e eles devem garantir que esse espírito se manifeste no meio do povo todos os dias, e que a vida da nação amadureça continuamente em direção à sua integridade espiritual e moral. Esse é o papel atribuído aos sacerdotes, e Aarão o expressará direcionando todas as lâmpadas na direção da lâmpada central. E a Escritura acrescenta imediatamente:

3. E assim fez Aarão. Aarão expressou o papel que foi atribuído aos sacerdotes: direcionar todas as aspirações espirituais da nação a Deus e à Sua Torá. E ele o fez por meio do direcionamento apropriado das lâmpadas do candelabro. Não houve aqui qualquer vestígio de vaidade do sacerdócio; ele apenas fez exatamente como Deus ordenara a Moisés.

Torá Interpretada - Editora Sêfer

 

Brevíssima coletânea de comentários sobre a Porção BEHAALOTECHÁ extraída da obra Torá Interpretada à luz dos comentários do Rabino Samson Raphael Hirsch, recém-publicada pela Editora Sêfer.

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