Contos e parábolas

Alguns Porquês de Purim

Alguns Porquês de Purim

Assim como Chanucá, Purim é uma festividade menor ligada a um evento histórico. Um livro completo da Bíbliao Livro de Ester, comumente citado como Meguilat Ester ou o Rolo de Esterdedica-se a relatar os acontecimentos que deram origem à festividade. A impressionante história é lida no serviço da sinagoga na noite de Purim e, novamente, no serviço da manhã seguinte.

O livro de Ester nos conta que o nome Purim deriva da palavra pur, que significa sorte, destino (o plural é purim). Hamán, que era o primeiro-ministro do rei Achashverosh (Assuero) da Pérsia, tirou a sorte para escolher em que dia ele iria assassinar todos os judeus do reino.

Os planos de Hamán foram frustrados pela linda rainha Ester e seu primo, Mordechai (Mardoqueu). Com o risco de sua própria vida, Ester intercedeu pelo seu povo diante do rei, e a ordem de Hamán foi revogada. Em vez de os judeus da Pérsia serem massacrados, Hamán e sua família foram pendurados nas forcas preparadas para Mordechai. Assim, aqueles dias de condenação à morte se transformaram de “tristeza em alegria” e foram comemorados com “troca de presentes (entre todos os judeus que se encontravam nas províncias do rei Achashverosh, próximas ou longínquas) e de dádivas aos pobres” (Ester 9:22).

O Livro de Ester proclama o décimo quarto dia de Adar (geralmente, durante o mês de março) como um dia de celebração. No entanto, em Susã (Shushán), a capital da Pérsia, os judeus não conseguiram se livrar completamente dos inimigos até o dia seguinte e, assim, eles celebraram Purim no décimo quinto dia de Adar. Como Susã era uma cidade fortificada, com muros, tornou-se costume que outras cidades com muros (como no caso de Jerusalém, que já tinha muralhas naquela época) também celebrem Purim no dia quinze de Adar. Nas outras cidades de Israel, celebra-se Purim no décimo quarto dia mesmo.

Durante a leitura da Meguilá no serviço da sinagoga, toda vez que o nome de Hamán é mencionado, ele é vaiado de alguma forma: batendo os pés ou sacudindo matracas. Antes do dia terminar, os amigos e parentes trocam presentes entre si e participam de uma refeição festiva denominada Seudá (festa) de Purim.

Por que a festa se chama Purim?

Com o intuito de determinar o dia em que o massacre dos judeus deveria se realizar, Hamán fez um pur (plural purim), que tem sido explicado como a palavra persa para “sorte”. Algumas autoridades creem que o termo é aramaico e significa um pequeno objeto liso usado para determinar o ganhador de uma loteria. A palavra tem um significado similar em árabe.

Por que os judeus jejuam antes de Purim?

O dia que antecede Purim, treze de Adar pelo calendário hebraico, é denominado “Taanit Ester”, o Jejum de Ester. É o dia em que os judeus da Pérsia jejuaram para prestar apoio à rainha Ester, que pretendia ir à presença do rei Achashverosh sem permissão prévia, um ato que era punido com a morte. Ela só se atreveu a fazê-lo, porque o destino do seu povo estava em jogo.

Hamán, o segundo homem mais poderoso da corte do rei, tinha proclamado, com a anuência do rei, que os judeus de todo o reino eram desleais e deviam ser massacrados no décimo terceiro dia do mês de Adar. A rainha Ester tentou, com êxito, ser recebida pelo rei e convenceu-o de que não era aconselhável permitir a Hamán prosseguir com o seu plano.

Quando o dia do jejum de Ester cai num Shabat, ele é antecipado para quinta-feira, pois é proibido jejuar no Shabat, um dia de regozijo, e nem na sexta-feira, porque o dia é necessário para fazer todos os preparativos para o Shabat.

Por que as proibições usuais das festas, como dirigir e trabalhar, não se aplicam a Purim?

Visto que Purim não é mencionado nos Cinco Livros de Moisés (a Torá), ela é considerada, do mesmo modo que Chanucá, como uma festividade menor. A Meguilá de Purim (Rolo de Ester) é lida na sinagoga, e nas casas realiza-se uma Seudá de Purim. Por ser Purim uma ocasião de regozijo, os enlutados não observam Shivá do modo tradicional e formal. A única alteração na liturgia é que a oração Al Hanissim é acrescentada à Amidá e à Bênção de Graças Após as Refeições.

Por que o nome de Deus não é mencionado em todo o Livro de Ester?

Como o Livro de Ester foi escrito em forma de rolo e enviado como uma carta para todas as regiões distantes da Pérsia, o nome de Deus foi omitido por medo de que a carta fosse profanada ou manuseada inadequadamente. É o único livro ou rolo da Bíblia no qual não aparece o nome de Deus.

 

Por que se enviam presentes e doces para amigos e vizinhos no dia da festa de Purim?

Este costume, conhecido pelo nome hebraico mishlôach manót ou, em iídiche shalachmones ou shelachmones, significa “enviar presentes” (literalmente, “porções’’), conforme indicado no Livro de Ester (9:22). Esta é uma expressão de regozijo pela vitória de Ester, que frustrou o plano de Hamán para aniquilar a comunidade judaica da Pérsia no século V a.e.c. Este costume consiste de enviar dinheiro para os pobres e guloseimas para amigos, vizinhos e parentes.

O costume de assinalar uma ocasião feliz enviando presentes (manót) é bem antigo. É mencionado no livro de Neemias 8:10, onde Esdras ordena aos judeus que comemorem a alegre ocasião da retomada da leitura da Torá (após um intervalo de vários séculos) enviando presentes para os necessitados. Como a palavra manót (“presentes” ou “porção”) é usada no plural, tornou-se tradição mandar pelo menos dois produtos comestíveis para os amigos e também caridade para os pobres.

 

Por que em Purim é permitido se mascarar?

Na tradição judaica, o uso de máscaras sempre foi proibido porque, frequentemente, envolvia a troca de vestuário entre homens e mulheres. A proibição é baseada na lei bíblica (Deuteronômio 22:5): “Não haverá traje de homem na mulher, e não usará o homem vestido de mulher, porque abominável é ao Eterno, teu Deus, todo aquele que faz isso.” Contudo, devido a Purim ser uma festividade tão grande e repleta de júbilo, os rabinos permitiram esta infração da lei bíblica.

Sob a influência do carnaval romano, os judeus italianos no final do século XV foram os primeiros a se mascararem para celebrar Purime, de lá, o costume se difundiu para muitas outras comunidades. Hoje em dia, o uso de máscaras é uma característica marcante do carnaval de Purim, que se realiza anualmente em Tel aviv, a ‘‘adloiada’’. As festas com o uso de fantasias são comuns em todo o mundo.

 


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