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O Dia da Grande Hoshána

O sétimo dia de Sucót é denominado Hoshaná Rabá, por causa das rezas especiais de Hoshána recitadas neste dia. Era observado com uma cerimônia exótica mas belíssima, no Templo. Os sacerdotes, segurando ramos de salgueiro, davam sete voltas em torno do altar, cantando Hoshá-na, que significa “Salva-nos”, pedindo sustento para os meses de inverno nos anos de safras muito deficientes. Eles então batiam com os salgueiros no piso ao lado do altar. O costume nas sinagogas, hoje em dia, é fazer estas sete voltas com o lulav e o etrog cantando Hoshá-na. Ao final do serviço religioso, golpeiam-se as folhas do salgueiro. Na época pós-talmúdica, Hoshaná Rabá adquiriu um toque de Iom Kipúr, chegando até ao ponto de o cantor usar um Kitel branco.

Em Israel, Sucót é observado por um dia no começo e depois um dia no final, onde são incorporadas duas celebrações que, na diáspora, são celebradas separadamente, Sheminí Atséret e Simchát Torá.

Sheminí Atséret e Simchát Torá 

Sucót, a festa do regozijo, já passou. Tristeza, anticlímax, pensamentos de retorno às preocupações começam a entrar em nossos pensamentos. Ainda não. A Torá insistiu em que haja mais uma festa – uma especial. Ela está conectada a Sucót; ela encerra a época das Grandes Festas, mas não se trata de nada disto. É uma dádiva, uma festa de pura alegria.

Através dos dias de Sucót, de sensibilidade elevada e confiança no Todo-Poderoso, nós nos reconectamos espiritualmente à nossa fonte, Deus. Agora, estamos tristes por deixar a Sua Presença. Não se pode dizer que Deus, que Se reconectou a Seu povo, que olha para Ele e O louva, está,  também, triste por nos deixar? Os sábios talmúdicos descrevem o motivo para a existência de Sheminí Atséret na seguinte parábola: Deus é como um rei que convida seus filhos para uma festa por um certo número de dias. Quando chega a hora dos filhos partirem, ele diz: “Meus filhos, eu peço a vocês que fiquem mais outro dia. Vossa partida é difícil para mim”. Este é o espírito de Sheminí Atséret. Estivemos com Deus desde o começo do ano. Precisamos ir embora. Para Deus e para o ser humano, é um santo lamento.

Embora seja comumente encarado como o fim de Sucót, Sheminí Atséret é diferente, tem vida própria e não exige nenhuma das observâncias especiais relacionadas com Sucót. O que sobra depois de 17 dias de símbolos e rituais filtrados pela alma do povo é uma alegria clara como água destilada.

Um acontecimento especial tem lugar neste dia. É o término do ciclo anual de leitura da Torá. Como é característico do Povo do Livro, neste mesmo dia, termina-se e começa-se novamente! A festa, portanto, é denominada Simchát Torá, a Alegria da Torá. Na diáspora, onde os judeus observam dois dias de festividade (em Israel dura só um dia), Simchát Torá tem seu dia próprio – o último dia, a coroa de todas as festividades. É marcado por sete voltas que as pessoas dão, dentro da sinagoga, com os rolos de Torá. Neste dia, todos recebem uma aliyá, ou seja, são chamados à Torá. Toda as crianças ficam juntas em torno do rolo aberto sob um dossel de casamento, a Chupá, para recitar a bênção em uníssono; a última pessoa a receber a aliyá conclui o ciclo do ano e, como ele fica sob o dossel, é chamado de “Noivo da Torá”; e a primeira pessoa a ler desde o início, “Noivo do Gênesis”. É um dia de dançar e cantar, das crianças desfilarem com chapéus e bandeiras junto com a Torá, de melodias e risos, e de brincadeiras infantis como amarrar nas cadeiras o Talit das outras pessoas, dos mestres sisudos e barbados.

É uma despedida calorosa aos dias de exaltação e exultação.

 

Trecho extraído do livro “Bem-Vindo ao Judaísmo

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