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Calendário Judaico

Significado religioso e histórico do Dia de Jerusalém

28 de Iyar – Iom Ierushaláyim

No 28º dia de Iyar do ano de 5727 [1967], os exércitos árabes, que tinham planejado erradicar a semente de Israel da Terra de Israel, foram dizimados completamente. O cerco dos inimigos ao redor das fronteiras de Israel foi derrubado e a cidade eterna de Jerusalém – que tinha quase todos os seus locais sagrados ocupados pelos árabes e proibidos para os judeus – foi recapturada e reunificada como uma cidade única para os seus herdeiros naturais.

Todos os locais que carregam a glória antiga, todos os lugares sagrados e santificados por gerações de judeus, acolheram os seus filhos de volta depois de tantos anos de afastamento forçado.

Dois dias antes, em 26 de Iyar, os exércitos combinados do Egito, Síria e Jordânia, reforçados por seus irmãos árabes de perto e de longe, cercaram as fronteiras de Israel, prontos para atacar. Armados com um poderoso arsenal de armas de destruição fornecido por seus aliados russos, eles arrogantemente declararam: “Atacaremos do norte, do sul e do leste, e jogaremos os judeus no mar a oeste!”

Mas a Providência Divina decidiu que nada disso aconteceria. O exército de Israel, embora claramente em inferioridade numérica, destruiu os exércitos inimigos e capturou vastas extensões de territórios. A guerra teve início no dia 26 de Iyar e, no dia 2 de Siván, o rugido da batalha cessou. Durante esses seis dias, as tropas israelenses foram vitoriosas em todos os campos de batalha e alcançaram todos os seus objetivos. Elas defenderam e salvaram o povo de Israel e expulsaram os inimigos.

Embora a data de 28 de Iyar ainda tenha sido marcada por intensos combates, ela passou a ser comemorada como um dia de celebração e agradecimento pelas maravilhas e milagres que Deus derramou sobre nós durante esse período, e pela reunificação de Jerusalém, símbolo de nosso anseio pela Terra de Israel ao longo de todos os anos do nosso exílio.

E Deus atacou o acampamento do egito

No dia em que todos os soldados dos exércitos árabes se encontravam de prontidão, tensos à espera da ordem de atacar e destruir, em 26 de Iyar, os jovens combatentes de Israel os antecederam em uma hora. Ao amanhecer, eles decolaram nos seus aviões de guerra, esquadrão após esquadrão, e atacaram de surpresa as bases aéreas árabes, conseguindo destruir os bombardeiros inimigos que se encontravam espalhados pelas pistas, à espera de seu destino. Os heróis de Israel surgiram e se foram numa sucessão tão rápida que quase não puderam ser vistos; no entanto, não deixaram ilesa praticamente nenhuma das máquinas de guerra dos inimigos.

As forças terrestres israelenses, em seguida, atacaram as numerosas divisões blindadas egípcias, desferindo golpes mortais; pulverizaram os poderosos tanques egípcios e suas posições fortificadas, e paralisaram todo o seu poderio de guerra. Os comandantes egípcios logo fugiram para salvar as próprias peles, abandonando os seus comandados, confusos e desorientados, e roubando deles, em muitos casos, a pouca comida e suprimentos que tinham restado. Nessa altura, a maior parte do exército egípcio tinha sido devastada – os soldados tinham morrido na batalha, ou tinham sido capturados, ou estavam em fuga sob o Sol escaldante do deserto do Sinai, e só escaparam de morrer de sede os que se entregaram aos israelenses.

Quando a guerra contra os egípcios irrompeu no sul, os israelenses advertiram o rei da Jordânia a conter as suas forças, garantindo que se ele não atacasse, seria poupado das incursões que acabaram devastando os egípcios. Mas Deus endureceu o seu coração e ele não deu ouvidos à advertência israelense. Os líderes árabes ficaram enredados nas mentiras que eles próprios fabricaram: um vangloriou-se para o outro quanto às suas “vitórias” e “avanços”; um, fugindo da espada israelí, gritou para o outro: “Compartilhe da nossa conquista de Israel…”

Foi um ato claro de Deus que levou as tropas do reino da Jordânia a participarem daquela loucura bélica, um ato de Deus que propiciou aos israelitas a recuperação das cidades da região de Judeia e Samaria e da cidade sagrada de Jerusalém. No terceiro dia dos combates, 28 de Iyar, o mundo foi surpreendido pelo anúncio histórico: “Toda Jerusalém está em nossas mãos!” O shofar foi tocado no Muro das Lamentações, proclamando: “Aqui estamos nós, no lugar de onde a Presença Divina jamais saiu – e viemos para ficar! Nunca mais nos afastaremos deste lugar sagrado!” A exultação do povo judeu em todas as partes do mundo ascendeu ao Céu.

As forças israelenses, em seguida, expurgaram todos os remanescentes da resistência inimiga dos territórios capturados da Terra de Israel. Então, as forças israelenses se voltaram aos inimigos sírios no norte e atacaram as suas poderosas fortificações nas Colinas de Golã, de onde alvejavam impiedosamente os assentamentos israelenses. Os israelís os atacaram e os empurraram de volta até as portas de Damasco, quando os sírios desistirem da luta. O momento da recordação do pacto de Abrahão (“desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates” [Gênesis 15:18]) ainda não havia chegado.

No dia 2 de Siván, Shabat, seis dias após a eclosão da guerra, o silêncio retornou à terra, do Canal de Suez no sul até o Monte Hermon no norte e o Rio Jordão no leste. De todos os países que faziam fronteira com Israel, apenas o Líbano permaneceu incólume, por não ter ousado guerrear contra a nação de Deus.

O sucesso extraordinário que os israelís tiveram durante esse período de seis dias – coroado pela captura de Jerusalém, no dia 28 de Iyar – transcende de longe, tanto em âmbito quanto em caráter, vários outros eventos que ganharam posição única no calendário judaico. No entanto, ainda não se padronizou um ritual comemorativo para a celebração dessa data. Todos reconhecem que os judeus da Terra de Israel saíram da sombra da morte nesse período, mas até hoje não se chegou a um acordo quanto à forma que a nossa celebração de agradecimento deve tomar. Infelizmente, os eruditos de Torá não chegaram a um consenso quanto a isso, pois a harmonia que caracterizava as opiniões dos sábios das gerações anteriores não existe mais. As diferenças de opinião que marcam a aceitação do dia 5 de Iyar caracterizam também a de 28 de Iyar.

De modo geral, divergências entre sábios são um fator positivo. Um debate sobre um tópico de halachá (legislação judaica) ajuda a clarificá-lo e reforçá-lo. No entanto, infelizmente, nos dias atuais, muitas vezes deixamos de ser merecedores daqueles tipos de discussões que objetivam “unicamente a causa do Céu,” e ao invés disso assistimos a discordâncias violentas – que são um forte sinal de que o advento da era messiânica está próximo. Esse nível de rivalidade faz com que a congregação de Israel fique como “ovelhas sem pastor”, ou seja, repleta de pastores que se opõem uns aos outros, cada qual tomando um rumo diferente.

Em defesa do povo de Israel

Por que Ezekias, o rei de Judá, foi punido? Os nossos sábios responderam: “Por não ter cantado louvores pela caída de Senaqueribe.” Podemos deixar de cantar louvores tendo assistido à queda dos nossos inimigos, que tinham como único objetivo a nossa aniquilação? Podemos deixar de agradecer a Deus por ter, na Sua misericórdia, nos feito vitoriosos apesar de todas as adversidades, e ampliado as nossas fronteiras?

Em defesa daqueles que relutam em criar uma nova celebração comemorando um acontecimento tão recente, vale observar que, sem dúvida, ainda não fomos merecedores da redenção final e completa. Cada milagre que presenciamos é apenas um prenúncio do que o futuro nos reserva. Assim, devemos reservar para então uma comemoração total e completa.

A nossa situação pode ser comparada à de uma pessoa gravemente doente que os médicos perdem a esperança de curar. De repente um tratamento inovador é administrado e ocorre um milagre. Mesmo livre do risco da morte, ela não pode recitar a bircát hagomêl (bênção de agradecimento por uma salvação) enquanto permanecer acamada, por faltar um longo caminho para que a sua recuperação seja completa.

Nós, também, somos como o doente que está apenas no início de uma recuperação completa. Milagres foram realizados pelo nosso bem, e estamos mais confiantes do que nunca de que a nossa recuperação completa é apenas uma questão de tempo. Aguardamos a chegada do momento em que ficaremos diante de Deus – que ainda realizará milagres e maravilhas por nós, que transcenderão a tudo o que já presenciamos – para podermos expressar todo o nosso louvor e gratidão.

Em breve os nossos cânticos despontarão com força total. Em breve seremos capazes de contar a história completa da nossa redenção, em todos os seus detalhes. Então, a nossa celebração será integral. Que isso ocorra brevemente, em nossos dias, amén!

 


Trecho extraído do livro Livro do Conhecimento Judaico [Sêfer Hatodaá] Uma viagem pelo calendário judaico
Autor: Eliahu Kitov
Editora Sêfer
Páginas: 656

Verdadeira enciclopédia de conhecimento judaico, descreve e comenta profundamente o calendário judaico – seus dias de festa e de jejum, de alegria e de tristeza -, bem como o significado de suas leis e costumes, acompanhado de rico manancial de comentários do Midrash e de ideias inspiradoras de sábios antigos e contemporâneos. É livro obrigatório em cada lar judaico e biblioteca.

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