Calendário Judaico

Shavuót: sete vezes sete

A primeira parada dos judeus após a saída do Egito foi o Monte Sinai. O Êxodo foi “a libertação de”. A Revelação e a entrega dos Dez Mandamentos por Deus representaram “a liberdade para”. Ser livre não é uma meta Divina a menos que você saiba o que fazer com a sua liberdade. O feriado de Pêssach é seguido por Shavuót, a comemoração do dia em que os judeus receberam a Lei de Deus e aprenderam que liberdade verdadeira significa ser livre para ser você mesmo – feliz e sagrado.

Shavuót significa “semanas” em hebraico. O feriado religioso da entrega da Torá só foi possível devido às sete semanas que o precederam. Sem preparação, não poderia haver aceitação da Lei.

 

Foi dito aos judeus quanto tempo levariam para ir do Egito ao Monte Sinai: 49 dias ao todo. Para os judeus místicos, trata-se do número sagrado 7 elevado ao quadrado. Após terem alcançado por sete vezes o nível de santidade do sétimo dia, os judeus estavam prontos para o quinquagésimo dia, que foi denominado Zemán Matán Toratênu, o Momento da Entrega da Nossa Torá.

 

O homem do meio

O Talmud contém uma lei interessante sobre como as pessoas devem caminhar quando juntas. Se alguém é mais importante do que os que o acompanham, a pessoa mais importante deve estar no meio. Os alunos de um rabino devem andar ao seu lado.

Os rabinos explicam que, por isso, o feriado religioso de Shavuót fica no meio das três Festas de Peregrinação. Por alguma razão, entre os judeus não religiosos, Shavuót não goza do mesmo prestígio que Pêssach e Sucót. Algumas pessoas a consideram uma festa menor, o que é um equívoco; outras simplesmente nunca ouviram falar. Isso é muito curioso, pois se não houvesse uma festa para comemorar o recebimento da Torá, não haveria outras festas na religião judaica – pois não haveria religião judaica!

 

Uma noite em claro

Diferente das demais festas, Shavuót tem alguns rituais que vão além dos serviços religiosos na sinagoga. Cada vez mais judeus têm aderido a um costume chamado Ticún Lêl Shavuót – quando passam a noite inteira lendo diversas porções da Torá e de outros livros bíblicos.

Diz a lenda que, no dia em que os judeus se preparavam para deixar suas tendas pela manhã para se reunirem ao pé da montanha e receberem a Torá de Deus, eles perderam a hora. Imagine, chegar atrasado para o encontro mais importante da sua história! Como poderíamos compensar um lapso de tamanha magnitude? Permanecendo acordados a noite inteira! É um modo de, por um lado, expressarmos nossa vergonha por um comportamento tão ultrajante e, por outro, reafirmamos nosso prazer com a Torá até os dias de hoje, quando com alegria trocamos uma noite de sono para estudar suas palavras tão sagradas.

 

Vamos decorar

Há ainda mais uma tradição: no momento da Revelação, o Monte Sinai ficou coberto de vegetação. Alguns dizem que ele ficou coberto de rosas – há um modo mais belo de Deus demonstrar o Seu amor por nós do que com milhares de rosas? Por isso, é comum que as sinagogas e os lares sejam decorados com muita folhagem verde e flores. Na verdade, os judeus persas (iranianos) referem-se a Shavuót como A Festa das Flores e os judeus italianos a chamam de Festa das Rosas. Lembre-se: a Festa Judaica das Flores está marcada para o dia 6 de Siván (por volta de maio-junho). É Shavuót e você está convidado.

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Trecho extraído da obra:

O mais completo guia sobre judaísmo
Autor: Benjamin Blech, Editora Sêfer.

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