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Calendário Judaico

Por que o ano de 5784 do calendário judaico tem 13 meses?

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Sim, em cada ciclo de 19 anos do calendário judaico, sete tem treze meses, e não doze. Como isso é possível?

O cálculo do novilúnio
O Sol e a Lua, as duas grandes luminárias colocadas por Deus no céu no quarto dia da Criação, constituem a base para o cálculo de dias, meses e anos. O versículo (Gênesis 1:14) declara: “E sejam sinais para os prazos, os dias e os anos.”

O Sol é a base para o cálculo dos dias. O período compreendido entre um pôr do sol até o pôr do sol seguinte é o que se considera um dia; a quantidade de vezes em que o Sol se põe [ou que ele nasce] em um ano equivale ao número de dias de 24 horas. O Sol também é a base para o cálculo dos anos, pois o nosso planeta não só executa uma rotação em torno de si mesmo uma vez a cada 24 horas; ele se desloca ao redor do Sol numa translação completa a cada 365¼ dias aproximadamente.

A Lua é a base para o cálculo dos meses – o tempo transcorrido entre a aparição de uma lua nova e a sua posterior reaparição. Os meses não podem ser calculados com base no Sol, uma vez que ele não apresenta alterações nas suas aparições. Similarmente, a Lua não pode ser utilizada para computar os anos, pois a sua reaparição mensal é sempre a mesma e o intervalo compreendido entre a aparição de cada novilúnio não varia.

 

Os povos do mundo determinam os seus calendários segundo critérios de consenso geral.
O mundo cristão calcula o ano baseando-se no Sol e divide os 365¼ dias em 12 unidades arbitrárias denominadas meses. Esses meses não dependem da aparição da lua nova e consistem em 28, 29, 30 ou 31 dias. Assim, os meses do calendário cristão se baseiam em um consenso geral.

O calendário muçulmano é baseado exclusivamente na lua; cada período de 12 meses lunares forma um ano. O ano dos muçulmanos pode começar tanto na primavera quanto no verão, no outono ou no inverno, já que não são feitos ajustes para sincronizar os meses lunares com o ano solar.

Se o intervalo entre um novilúnio e o próximo fosse de exatos um 12 avos de um ano solar, os anos solar e lunar seriam exatamente iguais. Mas não é isso o que acontece. O ano solar é composto de 365 dias, 5 horas, 55 minutos e 25 segundos. O mês lunar [que é o intervalo entre um novilúnio e o próximo] é composto de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3⅓ segundos; multiplicando por 12 resulta em 354 dias, 8 horas, 48 minutos e 40 segundos – uma discrepância anual de 10 dias, 21 horas, 6 minutos e 45 segundos entre os anos solar e lunar.
Se o ano solar for usado como base para um calendário, o cálculo dos meses não coincidirá com a aparição da lua nova. Mas se a aparição da lua nova for usada como base, os 12 novilúnios não coincidirão com as translações da terra ao redor do Sol. Se só for usado um calendário lunar, as quatro estações – primavera, verão, outono e inverno, às quais as Escrituras se referem como “épocas de plantio e colheita, de frio e calor” – não cairão todos os anos nas mesmas épocas e nos mesmos meses.

A Torá ordenou ao povo de Israel que consagrasse os meses e comemorasse “o mês da primavera [Nissán] e celebrasse o Pêssach ao Eterno, teu Deus” (Deuteronômio 16:1). Assim, temos o dever de assegurar que, ao estabelecer os meses do ano de acordo com o novilúnio, o mês de Nissán sempre caia na primavera. Como é possível conciliar esses dois requisitos, se o ano solar e os 12 meses lunares são inconciliáveis? Se o nosso calendário se baseasse apenas na passagem de 12 meses lunares, a cada ano solar estaríamos atrasados cerca de 11 dias. Se o nosso ano se baseasse em 13 meses, a cada ano solar estaríamos adiantados cerca de 22 dias. Em ambos os casos, no espaço de poucos anos, o mês de Nissán não cairia mais na primavera.

Para corrigir essa discrepância foram instituídos os anos embolísmicos dentro do ciclo de nosso calendário, nos quais foi intercalado um mês. É uma halachá lemoshé missinai (“lei recebida por Moisés no Sinai” – uma lei que Moisés transmitiu mas que não está registrada na Torá).
Assim, há dois tipos de anos dentro do ciclo do calendário judaico: os regulares, de 12 meses, e os embolísmicos, de 13. Após a passagem de um determinado número de anos regulares, quando a diferença entre o ano solar e o lunar alcança aproximadamente um mês, intercalamos um mês [outro Adar] antes de Nissán, de modo que o mês de Nissán sempre coincida com a primavera e não se distancie mais de 20 dias do ano solar.

O ciclo de dezenove anos
O calendário judaico segue um ciclo de 19 anos solares e consiste em 12 anos regulares [de 12 meses lunares] e sete anos embolísmicos [de 13 meses lunares]. Os anos embolísmicos são fixados no 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º anos do ciclo. Esses sete anos embolísmicos a cada ciclo de 19 anos conciliam os anos lunares com os solares.

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