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Pensamento Judaico

Os ensinamentos da Torá

Escrito por Sêfer

A palavra Torá significa “ensinamento”. Deus não Se revela ao homem na tempestade, no vento, no sol ou na chuva, mas sim na voz que ensina, nas palavras que instruem. O pacto está contido num texto compreensível não somente aos reis e seus sacerdotes, mas a todos os integrantes da nação, de modo que cada um possa aderir aos termos e dar seu consentimento antes que ele seja selado. Os heróis de Israel – Abrahão, Moisés, os profetas, os sábios e os escribas – não são reis, imperadores ou guerreiros, mas educadores; não são os guardiões de uma sabedoria esotérica, mas sim professores do povo, de todo o povo. Nossas instituições maiores – a família, o Templo, o Shabat, as festas rituais e, mais tarde, a sinagoga – todas elas se tornaram centros de educação, contextos de aprendizado.

Acima de todas as outras, dos tempos mosaicos até hoje, a grande experiência do judaísmo é o estudo da Torá. Ele é mais do que uma atividade espiritual e intelectual, ainda que o seja também. Para nós, a erudição, o estudo, o envolvimento regular com os textos judaicos é um evento político da maior magnitude. Todo judeu é um cidadão igual na república da fé, porque todo judeu tem acesso ao seu documento constitucional, a Torá, e sabe ler suas cláusulas. Como Josefo escreveu maravilhado mil e novecentos anos atrás, “Se a alguém de nossa nação for perguntado sobre nossas leis, ele as repetirá tão prontamente como repetiria seu próprio nome. O resultado de tão completo aprendizado das nossas leis desde os primórdios da inteligência é que elas estão gravadas nas nossas almas.” [Josefo, Contra Apion, 2:177-8.] Uma sociedade livre – o precário equilíbrio entre os princípios conflitantes da liberdade e da ordem – não existe apenas através do cumprimento de sua lei, mas de um sistema educacional que permite a cada indivíduo internalizar esta lei e tornar-se, assim, seu mestre e não seu escravo. A liberdade não é apenas uma sociedade de leis mas uma sociedade de advogados, de cidadãos conhecedores de suas próprias leis, cada um deles um guardião da justiça. Nenhuma outra sociedade chegou a ver as coisas deste modo. Nenhuma outra fé chegou a fazer da educação sua suprema experiência religiosa.

Como a invenção do telescópio espacial Hubble, que possibilitou ao homem receber sinais dos lugares mais longínquos no tempo e no espaço, a invenção do alfabeto permitiu o desenvolvimento de uma forma de consciência capaz de ouvir a Deus como a voz dirigida ao ser humano, e à construção de uma sociedade baseada na dignidade individual e na liberdade coletiva. Essa foi a dádiva da história aos judeus.

Texto extraído da obra Uma Letra da Torá, do Rabino Lord Jonathan Sacks.
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