Calendário Judaico Introdução ao Judaísmo

Sucót: a vida em uma cabana

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Ao deixar o Monte Sinai, os judeus iniciaram sua longa jornada pelo deserto: quarenta anos até a Terra Prometida.

Como alguém poderia sobreviver por tanto tempo em um ambiente tão inóspito? De onde os judeus obteriam comida e como encontrariam abrigo do calor do sol?

Deus teve que realizar mais um milagre, como faria ao longo de toda a história judaica, sempre pontuada pelo milagre da Providência Divina. O feriado religioso de Sucót comemora a sobrevivência judaica em situações impossíveis. Os judeus só sobreviveram no deserto graças ao cuidado especial de Deus; o mesmo pode se dizer dos milhares de anos em que perambularam por países tão perigosos quanto o deserto e sobreviveram, pois Deus sempre lhes deu Sua proteção e amor contínuos.

Durante aqueles 40 anos, depois de terem recebido a Torá, Deus nutriu fisicamente os judeus com um alimento caído do céu chamado maná (é daí que vem a expressão “caiu do céu”). Como proteção do sol escaldante, nuvens acompanhavam as pessoas onde quer que fossem. Para lembrarem este milagre ao invés vez de só falarem dele, os judeus resolveram dar um passo além: eles o revivem, ano após ano.

Sucót (plural de Sucá) significa “cabanas”. Os judeus praticantes – mesmo os que moram nas mais belas casas – constróem frágeis cabanas e lá “moram” durante toda a festividade, que dura oito dias. Nos países mais quentes, muitos judeus comem e dormem dentro da Sucá; nos mais frios, é permitido fazer somente uma das refeições do dia ali. A questão é trocar a segurança de uma casa por uma estrutura frágil, para que você perceba que, em última instância, toda a sua proteção vem de Deus.

Uma casa não é um lar

Estranhamente, o feriado em que os judeus trocam o conforto de suas casas por um abrigo temporário também é conhecido como Zemán Simchatênu, “tempo de nos alegrarmos”. Sucót simboliza felicidade. Por que devemos ficar felizes ao deixar nossos lares confortáveis para sentarmo-nos em uma cabana, rodeados apenas da família e dos amigos?

Há um midrásh muito bonito a respeito de um homem que queria acima de tudo ser feliz, mas feliz de verdade. Ele rezava com fervor para Deus e, finalmente, lhe foi dito como o seu desejo poderia ser atendido: “Encontre um homem verdadeiramente feliz e vista a camisa dele. Então, você partilhará da mesma alegria”. Viajou por meses a fio em busca dessa pessoa. Sempre que achava ter encontrado uma pessoa verdadeiramente feliz, após conhecê-la um pouco melhor descobria que não era tão feliz assim; o sorriso encobria uma tristeza – a felicidade aparente era irreal.

Então, depois de muito tempo, sua busca teve sucesso. Encontrou uma pessoa cujo contentamento era real, cuja alegria era plena, cujo sorriso refletia a mais completa paz e harmonia interior. Só havia um problema: este homem era tão pobre que nem camisa tinha.

Sucót também pode ser um modo de nos recordarmos que não é aquilo que possuímos materialmente que nos torna felizes. Uma casa não é um lar. Encontrar contentamento em uma cabana, conscientes de que Deus é o nosso Protetor, é muito mais significativo do que contar com a força das paredes e de um telhado para nos dar segurança e felicidade. Em Sucót, os judeus percebem que “give me shelter” (“dê-me abrigo”), mais do que o verso de uma canção de rock, é parte do seu diálogo com Deus.

Quatro tipos de judeus

Além de sair de suas casas para morar em uma cabana em Sucót, os judeus também têm que cumprir outra lei muito importante: dentro da Sucá, devem segurar quatro espécies diferentes de plantas que crescem em Israel – destino final dos judeus que vagaram pelo deserto – e balançá-las em todas as direções enquanto recitam uma bênção especial.

As quatro espécies são:

* Luláv, ramo de palmeira.

* Aravá, ramo do salgueiro que cresce perto da água.

* Hadás, ramo de murta, uma planta aromática.

* Etróg, fruto cítrico que se assemelha a um limão.

Alguns dizem que o luláv representa a espinha, a aravá, os lábios, o hadás, os olhos e o etróg, o coração. Através dessas quatro espécies, o judeu expressa o seu desejo de servir a Deus com as principais partes do seu corpo.

Uma interpretação mais famosa vê quatro espécies como símbolos de quatro tipos diferentes de judeus:

* o etróg, com sabor e fragrância, representa os judeus que estudam a Torá e fazem boas ações.

* o luláv tem sabor, mas não tem fragrância. Representa os judeus que têm estudo, porém não fazem boas ações.

* o hadás não tem sabor, mas tem fragrância, assim como os judeus que não têm estudo mas realizam boas ações.

* a aravá não tem sabor nem fragrância. Representa os judeus que não estudam nem realizam boas ações.

O que este ritual nos mostra é que todas as quatro espécies devem estar juntas para serem abençoadas. Nenhuma delas pode ser deixada de lado; nenhum judeu pode ser dispensado como “desnecessário” ou “excessivo”. As três espécies imperfeitas – oluláv, a aravá e o hadás – devem ser seguradas juntamente com o etróg, do mesmo modo que todos os judeus devem ser considerados, os menos preparados em conjunto com aqueles que lhes servem de inspiração. Juntas, as quatro espécies que simbolizam a unidade do povo judeu são balançadas na direção dos quatro cantos do mundo para mostrar que a missão judaica é ser “uma luz entre as nações”, levando sua sabedoria a toda a humanidade.


Extraído de O MAIS COMPLETO GUIA SOBRE JUDAÍSMO, do Rabino Benjamin Bleich.
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