Calendário Judaico

O que as Festas Bíblicas nos ensinam

Entre as várias festas do calendário judaico, três delas têm sua fonte direta na Torá: Pêssach, o êxodo do Egito; Shavuót, o recebimento da Torá no Monte Sinai; e Sucót, a festa das cabanas, em memória às nuvens que protegeram o povo de Israel durante os 40 anos no deserto.

Pêssach ensina que Deus é Soberano sobre a natureza e as nações do mundo, sobre a vida e a morte. Deus é o Criador de Israel; para Ele, existimos somente enquanto nação. Como “nação de Deus”, precisamos devotar nossa existência individual e nacional para cumprir os Seus propósitos no mundo em benefício de toda a humanidade.

Este ideal deve nos incutir um sentimento de lealdade e devoção ao Deus uno, à vida e ao destino que Ele nos reservou. Este sentimento leva à Ahavá – amor a Deus. (Veja o capítulo 73.)

 

Shavuót ensina que a natureza e a humanidade foram criadas por Deus com um propósito sublime e que Ele revelou este propósito na Torá que deu a Seu povo. Deus escolheu a ação humana como portadora de Sua vontade e nós, a nação de Israel, fomos privilegiados por sermos os mensageiros do Seu plano. Isto nos desperta uma vontade maior de nos associarmos à Sua Torá do que às nossas próprias vidas. Este sentimento leva à Yir’á – temor e reverência ao Deus Todo-Poderoso. (Veja capítulo 72.)

 

Sucót nos revela a ideia de que, apesar de todas as conquistas humanas, é Deus quem sustenta o mundo e é a Ele que devemos nossa existência – em nível pessoal, nacional e mundial. (Veja alguns simbolismos associados à Sucót no capítulo 49.) O povo de Israel, em particular, não foi somente criado por Deus, mas continua a existir por Sua direta intervenção. Somente Deus garante nosso júbilo nas horas mais felizes e nossa sobrevivência nos momentos mais obscuros. Em tempos de sucesso, Deus deve ser visto como fonte do nosso êxito e em tempos de necessidade, como nosso apoio. Só deste modo preservaremos a sobriedade e a modéstia nos bons momentos e a coragem e a confiança face ao infortúnio. Nossa força motriz deve ser a Emuná – fé e confiança em Deus. (Veja capítulo 75.)

 

Sheminí Atséret nos lembra que Deus mantém Seu espírito sempre vivo em Israel; Ele faz rejuvenescer a cada momento as forças espirituais e progresso intelectual na nossa vida nacional – fato amplamente demonstrado em nossos dias pela incrível regeneração do estudo e estilo de vida da Torá após o Holocausto. Por isto, devemos continuar a estudar e a ensinar a Torá com alegria, apesar da atitude de desprezo de algumas pessoas; devemos cultivar a luz da Torá com confiança mesmo se outros prenunciam sua extinção. Sabemos que Deus, de Quem emana toda a Torá, assegurará sua continuação até atingirmos seu derradeiro propósito. Isto induz à Simchá, a alegrar-se com Deus.

Em completa concordância com esta ideia tem sido o costume de toda a congregação de Israel celebrar por milênios – juntamente com Sheminí Atséret – a festa de Simchát Torá, o Júbilo com a Lei, quando a leitura anual da Torá é concluída e reiniciada em meio a expressões de exuberante alegria e celebração. Em Israel a festa de Simchát Torá é celebrada junto com Sheminí Atséret; na Diáspora é celebrada no segundo dia de Sheminí Atséret. (Veja o parágrafo 5 e capítulo 53/4).

Extraído do livro JUDAÍSMO PARA O SÉCULO 21, do Rabino Aryeh Carmel, Editora Sêfer.

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