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A mitsvá que salvou uma vida

“Pois isso é a tua vida e o prolongamento de teus dias.” (30:20)

A Torá e o serviço a Deus devem permear toda a nossa vida.

Todos estavam tão alegres e empolgados com o casamento que se aproximava que ninguém prestou atenção a um dos membros da família que parecia estar ansioso e preocupado: rabi Akiva, o pai da noiva.

​Seu coração estava pesado, pois muitos anos antes, uns observadores de estrelas o haviam prevenido de que sua filha morreria no dia de seu casamento. Ela seria picada por uma cobra, assim prediziam as estrelas. E não havia nada que ele pudesse fazer para impedir isso, eles teriam acrescentado.

O dia do casamento chegou.

No meio da festividade, um homem pobre apareceu e permaneceu na porta de entrada. Ele observava avidamente as bandejas abarrotadas de iguarias quentes. Quando foi a última vez em que ele comeu à vontade? Ele desejava nem que fosse uma migalha daqueles pratos saborosos e olhava ao redor para ver se conseguia encontrar alguém que lhe trouxesse alguma comida. Ele estava envergonhado demais para se misturar ao convidados, mas tampouco conseguiu chamar a atenção de alguém. Havia muito burburinho.​

No entanto, ele não deu meia-volta; ainda tinha esperanças, por mais improvável que fosse, que alguém percebesse e se apiedasse de um mendigo faminto. E alguém finalmente o viu. Era a própria calá, a noiva. Ela enxergou a figura abandonada na porta e leu o olhar faminto que ele lançava sobre as mesas. Rápida e silenciosamente, ela esgueirou-se e levou a ele um prato amontoado de alimentos deliciosos, a porção reservada a ela, e implorou a ele que comesse o quanto quisesse. E, também silenciosamente, ela esgueirou-se de volta ao seu lugar, sem que ninguém percebesse.​

Quando tudo terminou, a calá entrou em seu quarto, retirou o belo broche de ouro que adornava seu véu de casamento e o prendeu entre duas pedras na parede.​

Na manhã seguinte, ao acordar, a filha do rabino procurou seu adorável broche. Lá estava ele, bem acima de sua cabeça, preso na parede. Ela o apanhou e soltou um grito. O broche, viu ela, havia perfurado a cabeça de uma cobra venenosa, matando-a. Lá estava ela, enrolada e morta, enfiada entre as pedras, sua cor cinza camuflada sob o cinza da parede.​

Ela correu até o pai e contou que havia encontrado uma cobra em seu quarto, perfurada mortalmente por seu broche de ouro.​

O rabi Akiva suspirou em visível alívio. “Diga, minha filha, por acaso você realizou ontem algum ato virtuoso que a salvou da morte?”

​Ela pensou e em seguida respondeu: “Sim, pai. Durante a refeição de casamento, eu percebi um mendigo na porta, observando avidamente as mesas de comida. Ninguém lhe deu atenção, por isso eu mesma me levantei e levei até ele um prato com uma bela porção, que na verdade era a minha própria.”

“Você fez uma boa ação, minha filha. E esta mitsvá salvou a tua vida. Você estava destinada a morrer por uma picada de cobra, mas Deus teve pena de você, assim como você demonstrou ter pena do mendigo faminto.”

(Adaptado do Tratado de Shabat 156b)

* Conto extraído do livro Contos de Tsadikim – Devarim, de G. Ma Tov

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