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A Contagem do Ômer

Fazemos uma contagem, dia após dia, semana após semana, até chegarmos a Shavuót, que celebra a outorga da Torá no Monte Sinai e o amadurecimento da colheita do trigo e os primeiros frutos do verão.

(1) A oferenda do Ômer

A cevada amadurece cedo na Terra de Israel. Já em Pêssach os grãos estão prontos para a colheita. Mas antes de podermos usufruir da nossa safra, temos que oferecer parte dela no altar de Deus – e assim fazíamos a cada ano, quando o Templo existia em Jerusalém. A quantidade a ser dada era a medida de um Ômer – o equivalente ao consumo de um dia para um ser humano. Daí o nome “oferenda do Ômer”.

Não podemos derivar proveito algum de uma nova colheita até que a oferenda seja feita, ou, se não houver nada a ser oferecido, até o término do dia. Esta é uma proibição (temporária) de Chadásh (“nova” colheita). Deus nos quer ver desfrutando plenamente de nossa colheita. Mas tudo o que proporciona júbilo torna-se mais rico se estiver sujeito a certas restrições. Precisamos aprender que Deus está em primeiro lugar. Quando trazemos o primeiro Ômer a Deus, temos de reconhecer que nosso sustento provém Dele e que a Ele dedicamos os produtos com os quais nos alimenta.

Desde esse primeiro Ômer, oferecido no dia 16 de Nissán, fazemos uma contagem, dia após dia, semana após semana, até chegarmos a Shavuót, que celebra a outorga da Torá no Monte Sinai e o amadurecimento da colheita do trigo e os primeiros frutos do verão.

 

(2) O significado da contagem

Esta contagem significa um reconhecimento de nossa parte de que a aquisição da independência física em Pêssach é só o começo. Agora, temos de justificá-la nos esforçando para nos tornarmos merecedores da Torá em Shavuót.

E mais. O Ômer oferecido em Pêssach era de cevada. A oferenda de Shavuót era de trigo. Cevada é o alimento dado aos animais. Já o trigo é consumido pelo homem. A Torá sugere assim que a independência física mantém o homem ainda em estado animal. A contagem de quarenta e nove dias significa um processo de refinamento sétuplo, que marca nosso desenvolvimento progressivo até estarmos espiritualmente prontos para receber a Torá no Sinai, o que aconteceu sete semanas após o Êxodo.

Se “sete”, o número da Criação, representa a plenitude deste mundo, o número “oito” se relaciona com o que está além da Criação – o mundo espiritual de onde provém a Torá. “Cinquenta”, número código de Shavuót, poderia ser chamado de “supra oito”, pois aparece em seguida a sete séries de sete. Para sermos merecedores de celebrar a criação da Torá em Shavuót (veja capítulo 43/2), devemos primeiramente seguir o árduo caminho preparatório que inclui quarenta e nove estágios. É por isto que Shavuót está separada do primeiro dia de Pêssach por quarenta e nove dias. A Torá pode ser adquirida somente após um empenho prolongado.

Sheminí Atséret, porém, vem imediatamente após os sete dias de Sucót. Não há período preparatório. Isto se deve ao fato da preservação da Torá em Israel depender mais de Deus do que de nossos esforços. Vimos isto acontecer na milagrosa retomada do modo de viver segundo a Torá verificado depois do Holocausto (veja capítulo 43/3).

 

(3) Momentos de luto

 

Os dias entre Pêssach e Shavuót são entremeados por eventos que ocorreram séculos atrás, mas cuja memória ainda nos afeta. Em Érets Israel, no segundo século da Era Comum, muitos dos discípulos do rabi Akiva morreram durante esta mesma época, vítimas de uma misteriosa epidemia. Eram os porta-vozes da Torá de sua geração. Nossos Sábios atribuem suas mortes a certas falhas de caráter que poderiam ser perdoadas em outras pessoas, mas não em arautos da Torá. Estes estudiosos da Torá negligenciaram o tratamento respeitoso que deviam uns aos outros. A lição para os nossos dias é óbvia.

Cerca de mil anos depois, nas comunidades judaicas da Renânia, durante o mesmo período de preparação para o recebimento da Torá, muitos de nossos mais pródigos filhos e filhas deram suas vidas por esta mesma Torá, caindo vítimas da cegueira doentia dos Cruzados (1096 da Era Comum).

Em consequência, este período carrega um tom de dolo público. Não celebramos casamentos e não cortamos os cabelos. Isto deve nos fazer lembrar que, como portadores da mensagem da Torá, devemos agir de acordo com este privilégio. Deve igualmente nos imbuir de um grande senso de responsabilidade para levarmos adiante a sagrada missão pela qual nossos mártires deram suas vidas. Isto tem relevância especial nos dias de hoje, quando, não tão distante no tempo, milhões de nossos irmãos judeus foram assassinados por europeus supostamente “civilizados” por nenhuma outra razão que não o fato de serem judeus – o povo da Torá.

Extraído do livro JUDAÍSMO PARA O SÉCULO 21, do Rabino Aryeh Carmel, Editora Sêfer.

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