Calendário Judaico

As quatro espécies

E tomareis para vós, no primeiro dia, o fruto da árvore formosa [Etróg], palmas de palmeira, ramos de murta e de salgueiro de ribeiras, e vos alegrareis diante do Eterno, vosso Deus, por seu dias. 

(Levítico 23:40)

As quatro espécies

Nossa tradição diz que a “fruta da árvore formosa” é o Etróg, ou cidra. Além de ter uma bela forma, sua fragrância permeia a própria madeira da árvore. A palmeira de tâmaras também produz frutos, mas não tem cheiro. A parte a ser tomada é o Luláv, uma fronde jovem e fechada na extremidade. A Torá nos mostra em seus símbolos o potencial da juventude. A murta tem fragrância mas não dá frutos, enquanto o salgueiro não tem cheiro e nem dá frutos. Sendo a mais longa e proeminente das quatro espécies, o Luláv dá seu nome ao conjunto; geralmente nos referimos a esta Mitsvá como a Mitsvá do Luláv.

Nossos Sábios também disseram que o requisito da beleza se aplica a todas as quatro espécies. Cada uma deve ser um exemplo de beleza: defeitos, imperfeições e descolorações podem desclassificá-las para a Mitsvá.

Temos que “tomar para nós no primeiro dia” – as quatro espécies devem nos pertencer – para que não nos envergonhemos de ostentá-las na presença de Deus, seja por ter que pedi-las emprestado ou tê-las adquirido desonestamente. Simbolizam portanto nossa legítima propriedade sobre as coisas boas deste mundo.

Depois de ter nos requisitado declinar ao nosso poder material quando nos mudamos para a Sucá (capítulo 49), a Torá põe em nossas mãos alguns símbolos do que há de melhor no mundo de Deus e nos pede para “alegrar-nos com eles na presença Divina”. A Torá não deseja que renunciemos às coisas boas do mundo. Ao contrário, temos de valorizar o ambiente no qual Ele nos colocou (veja capítulo 13). Temos de valorizar este ambiente tanto por sua beleza quanto por sua utilidade. Precisamos apreciar até mesmo a beleza do humilde salgueiro.

Podemos nos alegrar com estes elementos se nos “apresentamos com eles diante de Deus”, ou seja, se os usamos de acordo com as leis que Ele estabeleceu. Feliz daquele que não se envergonha com o modo como desfruta do mundo de Deus.

Sucá e Lulav

A Sucá ensina a não valorizarmos tanto nossos bens materiais; e o Luláv, a dar-lhe seu real valor.

A lição da Sucá: a aquisição de bens materiais não é o único objetivo na vida. Já o Lulav nos ensina a usar tudo o que Deus nos dá como instrumentos para atingirmos nossos verdadeiros propósitos. Agir deste modo nos traz Simchá (alegria), pois a verdadeira alegria é resultado do uso do nosso potencial para o bem.

Significado nacional

As quatro espécies são também veículo de um significado nacional e histórico. Maimônides ligou estas espécies com o júbilo emergente da saída do deserto árido seguido pela entrada em uma terra de árvores frutíferas e rios. Para manter esta memória nítida em nossas mentes, tomamos as mais belas e fragrantes frutas da terra, junto a plantas cujas folhas apresentam fragrância (murta) e beleza (salgueiro). Seguindo esta linha de pensamento, adicionamos o fato da murta (cujo nome Avót quer dizer “mato trançado”) representar as moitas às margens do rio Jordão, do Luláv representar as famosas palmeiras de Jericó, dos salgueiros nos lembrarem dos vales e córregos da Terra de Israel, e do Etróg simbolizar a generosidade dessa Terra. Juntas, estas plantas simbolizam nossa saída do deserto, o cruzar do rio Jordão e o assentamento na fértil Terra de Israel. As espécies representam não só nossas posses materiais como o legado nacional e histórico do povo de Israel. Temos que nos alegrar com estes recursos e, ao mesmo tempo, usá-los somente para propósitos Divinos. Quando este dia chegar, seremos uma nação unificada, seremos capazes de “nos alegrar diante de Deus” – uma nação terá encontrado o caminho de volta ao seu verdadeiro destino.

Halachá

 É costume não dispensar esforços para assegurar que as quatro espécies que tomamos em Sucót sejam tão perfeitas e belas quanto possível.

 Devemos tomar: 1 Etróg, 1 Luláv, 3 ramos de murta (Hadás) e 2 ramos de salgueiro (Aravá).

O Luláv, o Hadás e a Aravá são amarrados juntos e seguros na mão direita, enquanto seguramos o Etróg na mão esquerda. (Podemos notar pela tabela 5 que o Etróg possui as qualidades das outras espécies juntas.)

Seguramos as quatro espécies durante a recitação do Halêl (capítulo 65/8) e durante a procissão em volta do púlpito onde lemos a Torá (Bimá). (Circular um objeto expressa a escolha deste objeto como centro de nosso desejo e bem querer. Dar voltas em torno da Bimá segurando o Etróg e o Luláv expressa nossa determinação em usar os meios ao nosso dispor em prol da Torá. Em certo pontos durante os serviços, a quatro espécies são apontadas e levemente chacoalhadas nas seis direções – frente, direita, trás, esquerda, cima, baixo. (Este é o costume Ashkenazi, dos judeus da Europa do Leste. Outros seguem uma ordem diferente.) Com este ato simbolizamos nossa consciência de que Deus está em todo lugar e que Seus presentes fluem a nós em todos os lugares e a todo tempo.

 O requisito de posse das quatro espécies e de não podermos tomá-los emprestados se aplica somente no primeiro dia.

 

Extraído da obra Judaísmo para o Século 21, de Aryeh Carmell.

Clique e confira!

Comentário